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Deus é Pai

Publicado: 14 de maio de 2013 em Uncategorized
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O início do século passado foi significante para uma mudança de mentalidade no mundo. Nas primeiras décadas do século XX, descobertas astrofísicas mudaram completamente o jeito de pensar das pessoas. Para que se possa ter uma ideia, até antes dessas descobertas, o Universo era visto e entendido como estático. 

 
A ideia científica de estática e ciclo universal, oriunda da filosofia grega antiga, tornava impossível a sustentação de uma criação ex-nihilo – uma criação vinda ou surgida do nada – tal como define a Bíblia. O universo estático, por lógica, acabava por corroborar a ideia de eternidade do Universo. Como foi dito, tudo isso foi mudado pelas novas descobertas científicas. 
 
A teoria da relatividade de Einstein, por exemplo, e as observações e cálculos de E. Hubble mostrou que o Universo não era nem estático, nem eterno. Ou seja, ele teve um início ou origem e continuava expandindo-se. Em conseqüência, a origem do Universo e, principalmente, o seu equilíbrio – a nível quântico e atômico – evidenciava uma inteligência por detrás da criação. 
 
No dia 24 de abril de 2010, ano do 20º aniversário do telescópio espacial Hubble, a NASA – Agencia Espacial Americana – ofereceu ao publico, umas das mais impressionantes fotografias espaciais do nosso Universo. A fotografia se refere a uma nebulosa da nossa galáxia: Carina. Rapidamente, a foto se converteu num ícone da astrofotografia por causa dos famosos e inconfundíveis “Pilares da Criação” a 7.500 anos-luz da Terra. 
 
Ao observar aquelas fotos impressionantes, nosso pensamento é imediatamente transportado a imensidão do Universo. Impressionantemente gigantesco. Povoado com milhões de estrelas e galáxias. O Universo segundo os textos hebraicos da Bíblia proclamam a gloria de Deus. O texto diz: “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos” (Salmo 19:1). 
 
Deus criou os céus e a Terra. (Ele) “faz grandes coisas, que nós não compreendemos… pára e considera as maravilhas de Deus” (Jó 37:5,14). Um Deus tão grande poderia atentar para a nossa insignificância? Diante da sua grandeza e poder, Jó conclui: “Ao Todo-Poderoso, não o podemos alcançar; ele é grande em poder” (37:23). 
 
A conclusão de Jó deve ter surgido ao fazer uma comparação natural entre a Sua Imensa Grandeza com a nossa pequenez. Somos tão pequenos que não podemos alcançá-lo, concluiu o patriarca. O próprio salmista Davi chegou a questionar: “que é o homem, que dele te lembres? E o filho do homem, que o visites?” (Salmo 8:4). É muita grandeza para tamanha insignificância. 
 
Não obstante, quando analisamos a Bíblia vemos como um Deus tão grande e glorioso é ao mesmo tempo um Deus que se compraz em se relacionar e/ou interagir com a sua criação. Deus se compraz em estabelecer um relacionamento de proximidade e de amor para com os seus filhos. A isso chamamos de imanência. 
 
Deus é Transcendente. Sim, Ele se encontra para além dos limites da sua criação e é, ao mesmo tempo, Imanente. Essa é uma das características que o distingue de muitos deuses descritos por outras religiões mundanas. Para o agnóstico, por exemplo, a imanência de Deus é loucura; para o cristão, no entanto, é motivo de grande alegria. 
 
Deus se relaciona, ele se faz presente. Ele age. Ele atua de uma forma espetacular na vida dos seus. O conceito de paternidade de Deus é uma grande prova dessa atuação. 
 
Esse conceito de Proximidade é exclusivamente cristão. Jesus o introduziu de forma aberta e explícita nas suas mensagens. Apesar do conceito já perfilar em algumas declarações do Antigo Testamento, Jesus o elevou a categoria máxima para o homem. J. I Packer afirma a esse respeito: “Deus e a religião seguem sendo aquilo que eram. A revelação do Antigo Testamento sobre a santidade de Deus e a sua exigência de humildade no homem, está patente em toda a sua extensão, porém, algo novo é acrescentado; nos crentes do Novo Testamento aparece um novo fator na sua relação com Deus: Eles O tratam como PAI” (J.I. Packer, Conhecendo a Deus, cap. 19). De fato, quando Jesus introduziu o conceito de “Pai”, um escândalo deu-se para os judeus. 
 
Ele nos ensinou a orar: “Pai nosso que estás nos céus…” (S. Mateus ). A ideia presente no conceito de paternidade é muito maior do que se possa imaginar. O conceito de Pai indica aproximação, cuidado, carinho, afeto, amor, sacrifício pelos filhos, bem como condução, guia, orientação e educação. O apostolo Paulo enxergou na paternidade a ideia de uma aproximação sem barreiras. Ele chegou a afirmar aos Romanos: “Porque não recebeste o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual, clamamos: Aba, Pai”. (Romanos 8:15).
 
Esse conceito introduzido por Cristo foi repetido pelos apóstolos com veemência. Paulo ainda escreve aos Gálatas dizendo: “Deus enviou ao seu Filho… para que redimisse aos que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos” (Gl 4.4,5).
 
Deus é Pai, nosso Pai, ou como o apóstolo afirma, Ele é “Abba Pai” – i.e. nosso “Paizinho” – dito de maneira carinhosa por uma criança ao seu Papai.
 
Por Waldemir Lopes
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Gandhi

Mahatma Gandhi foi um respeitado líder da Índia e da história hodierna. Como indiano e hindu, logo, oriental, admirava profundamente Jesus Cristo e, não com pouca frequência, citava as palavras do Senhor. Certa vez um missionário inglês, E. Stanley Jones, encontrou-se com ele na Índia e perguntou-lhe: “apesar do senhor sempre citar as palavras do Cristo, por que é tão inflexível e sempre rejeita tornar-se seu seguidor?” Sua resposta: “eu não rejeito seu Cristo. Eu amo seu Cristo. Apenas creio que muitos de vocês cristãos são bem diferentes do vosso Cristo”.

Conta-se que a rejeição de Gandhi ao cristianismo nasceu de um incidente na África do Sul, na época “áurea” do Apartheid – se é que podemos chamar qualquer momento daquele pernicioso regime de “áureo” – quando foi impedido de entrar na igreja, por causa da cor da sua pele. Sua experiência na África lhe impactou profundamente, a ponto de dizer: “Não conheço ninguém que tenha feito mais para a humanidade do que Jesus. De fato, não há nada de errado no ensino de Jesus. O problema são os cristãos. Vocês nem começaram a viver segundo o que ensinam”.

Tem razão? Sim e não. Sim, quando afirma que os cristãos, na sua maioria, não tem nem ideia do que é ser um seguidor de Cristo. Não, por outro lado, por reduzir todo o cristianismo e toda igreja àquela pseudo-igreja na África do Sul. Se ao invés de ter se oposto a Igreja, por causa dos (pseudos) cristãos tivesse lido a Cristo e posto sua fé Nele, tal como recomenda o autor da carta aos Hebreus, que diz que devemos viver e seguir “tendo os olhos postos em Jesus, autor e consumador da nossa fé” (Hb 12:2), talvez não cometesse o reducionismo que cometeu.

Pensando nisso, vi como muitos como “Gandhi” cometem o seu mesmo erro e conceituam a comunidade da qual fazem parte como inapropriada para eles, devido aos erros encontrados nela. Numa postura bem farisaica dizem: “eu não sou como estes. Tenho que sair desse meio de hipocrisia, porque não me faz bem”. Não há nada mais ignominioso e perverso que esse olhar. Não há nada mais anticristão em achar que “eles são hipócritas e eu não sou como eles”. Em certa ocasião, Jesus nos contou a parábola do Fariseu e do publicano para indicar que a idiossincrasia dos hipócritas é considerar-se superiores aos demais pecadores. Nela, o confiar “em si mesmos, crendo que eram justos, e” – sobretudo isso – “desprezar aos outros”, é a marca dos hipócritas (Cf. Lucas 18:9-14).

Outra análise que faço, salvo os casos de desvio da sã doutrina do Evangelho, é a de que, quem sai da sua igreja pelos erros ou defeitos ou problemas que nela há, está inebriado pelo espírito consumista desse mundo, que trata as relações como pura prestação de serviço. Isto é, faz-se parte de uma comunidade em quanto, e apenas em quanto, esta lhe serve ou presta benefícios. Assim, se tiver escolinha para meus filhos, se os membros pensarem como eu, se na liturgia houver o que eu gosto, se o louvor for adorável, se o pastor prega e me preenche com o seu sermão, se há muitas atividades e festas para casais, adolescentes, jovens etc. etc. etc. neste caso, “tô dentro!”.

Se não tiver nada disso ou começar a faltar algumas destas coisas que, segundo dizem “tem que ter numa igreja”, “tô fora!”; “vou buscar outra comunidade que me ofereça o bem estar que eu e minha família precisamos”. Assim, troca-se de comunidade como de operadora de celular. Aonde houver mais ofertas e vantagens, aí, fico! Relação ética, relação cristã na comunidade, igreja em si, não é prestadora de serviço. Ao invés de promover o bem, muitos cristãos querem apenas usufruir do bem que a comunidade, com o esforço de poucos obreiros, oferece. Nisto, empobrece-se a igreja, a espiritualidade (qual?) fraqueja e comunidades como as que rejeitaram Gandhi começam a prevalecer. Pois, na ausência do bem do justo, o mal do ímpio prevalece. Pense nisso…

Por Waldemir Lopes

ImagemDe onde provêm tantas religiões? Já observaram que no mundo há milhares delas? A queda ou, melhor dito, a exclusão da comunhão com Deus, trouxe uma grande proliferação religiosa. 

Através de rituais, o homem procura a todo custo, obter méritos diante de Deus, a fim de ser aceito novamente na sua comunhão. Essa doença conseqüente da exclusão do Éden traz ao coração humano um sentimento de culpabilidade real que se espalhou velozmente pelo mundo. Por essa razão, Lutero dizia: “A doutrina da justificação pela fé em Cristo (…) foi sacudida, e ainda é através das religiões…”. 

Depois da exclusão de Adão, o homem procurou agir para voltar a ser aceito por Deus. A Bíblia diz: “Depois, o Senhor Deus plantou um jardim na região do Éden, no Leste, e ali pôs o ser humano que ele havia formado… Por isso, o Senhor Deus expulsou o homem do jardim do Éden e fez com que ele cultivasse a terra da qual havia sido formado… Deus expulsou o homem e pôs os querubins e uma espada de fogo que dava voltas em todas as direções a fim de que o homem não voltasse…” (Gênesis 2.8-24). 

A busca pela justiça é uma luta que começou no Éden. No pecado de Adão e Eva, um acusou ao outro e, por último, a serpente; e, depois, eles mesmos se fizeram roupas com folhas de figueira para esconder a sua nudez dos olhos de Deus. 
 
No tempo do Novo Testamento a luta ainda continuava, pois a religião judaica era a tentativa de se alcançar a aceitação de Deus por intermédio das obras (Romanos 10.3).
 
Todos nós, ainda hoje, “somos inclinados a rejeitar o método de Deus para sermos aceitos, porque queremos a todo custo ter uma participação decisiva nessa aceitação, quando não, ter uma participação exclusiva, quando, na verdade, as boas obras de Cristo são perfeitas para a nossa aceitação na família do Pai.” – J. B. Phillips.
 
O homem foi rejeitado, excluído e, consequentemente, afastado da comunhão com o Pai. A tendência natural do homem diante da rejeição é a tentativa de novamente ser aceito, nem que isso custe o humilhar-se ou rastejar-se. 
 
Essa repulsa edênica provocou em todo o mundo uma tentativa de voltar a ser aceito por Deus. Por essa razão, como no caso da torre de Babel, muitas religiões nasceram. O mundo inteiro agiu e ainda age, contra essa doutrina de ser justificado e aceito por Deus pela fé em Cristo, inventando numerosos ídolos e religiões, onde cada um, procura justificar-se diante de Deus por meio das suas próprias obras. 
 
Isto é, com a esperança de se redimir a si mesmo das maldades e pecados sem a ajuda de Cristo, unicamente pelas suas próprias obras. Tudo isso se percebe claramente nas práticas e restos de todas as culturas e nações. 
 
Daí, nascem as autoflagelações, as penitências, obras de caridade (com o fim de obter justiça pessoal), o subir escadarias de joelhos, o fazer e pagar promessas, o seguir os ritos e preceitos de uma religião. Também os dez ensinamentos muçulmanos, os sete sacramentos católicos, os oito passos do budismo etc. Tudo isso, é a colocação da responsabilidade de sua própria salvação sobre o homem. 
 
Seria como se dissesse: “se eu fizer a minha parte, Deus fará a dele”. Dessa falácia procedem muitos provérbios populares como: “a Deus rogando e com o maço dando” ou “Deus ajuda a quem madruga”, onde é evidente que Deus só será capaz de fazer por meio, primeiramente, da ação do indivíduo homem. Por essa razão, o cristianismo autêntico, apostólico e bíblico é tão diferente a todas as religiões do mundo.
 
O Evangelho é o oposto a tudo isso. O Evangelho É… Justiça abundante aos pobres de espírito! É misericórdia, amor e paz aos inimigos! É a exaltação do impotente! É a elevação do quebrantado! À renúncia a sua própria capacidade de ser salvo pelas suas obras pessoais! 

 
Nele, há uma poderosa inversão! Do mérito religioso pessoal à dependência da graça de Deus!
 
Por isso, o generoso e o que ama será herdeiro de tudo! O misericordioso alcançará misericórdia! O fraco sustentado pela graça de Deus é forte! O filho é incluído! O herdeiro, pela fé, é salvo! O que faz boas obras, faça-as por gratidão, não por tentativa de inclusão!
 
Em virtude de que, o cristianismo em sua essência é inclusão pela fé em Cristo, sem necessidade alguma das obras humanas, mas com toda a sustentação das obras perfeitas de Cristo, Nele devemos depositar toda a nossa confiança. 
 
Como disse B. B. Warfield: “Saber a respeito e, sobretudo, CRER na justificação pela fé em Cristo é primordial para qualquer cristão. Se esta doutrina florescer, tudo de bom florescerá no coração do crente…”. 
 
Em Cristo, 
 
Waldemir Lopes

lavar as maos

Arthur W. Pink, teólogo e pastor registra no seu livro “Comfort for Christians” (“Conforto  para os cristãos”), referindo-se a este texto de Mateus 5:8, “… que a pureza de coração não significa impecabilidade de vida está claro, a partir do registro inspirado da história de todos os santos de Deus. Noé se embebedou; Abraão mentiu; Moisés desobedeceu a Deus, Jó amaldiçoou o dia de seu nascimento; Elias fugiu de pavor de Jezabel; Pedro negou a Cristo. Sim, talvez alguém irá exclamar: mas todos esses foram antes do cristianismo ser estabelecido – ou antes da redenção na cruz. Verdade, mas também tem sido a mesma situação desde então. Para onde devemos ir para encontrar um cristão de realizações superiores aos do apóstolo Paulo? E qual foi sua experiência? Leia Romanos 7 e veja. Quando ele queria fazer o bem, o mal estava presente com ele (v. 21); havia uma lei em seus membros guerreando contra a lei de sua mente, e o trazia cativo à lei do pecado (v. 23). Ele, com a mente, servia a lei de Deus, no entanto, com a carne servia a lei do pecado (v. 25). Ah, leitor cristão, a verdade é que uma das evidências mais conclusivas de que possuímos um coração puro é a descoberta e a consciência da impureza do velho coração habitando lado a lado com o novo”.

“Bem-aventurados os limpos de coração”. Na busca de uma interpretação de qualquer parte deste sermão do monte a primeira coisa a se ter em mente é que aqueles a quem o Senhor falava haviam sido criados no judaísmo. 
Os judeus religiosos da época de Jesus tinham uma grande preocupação com o exterior. Neles, havia o mandamento de que “o que vem de fora contamina o homem”. Por essa razão, não comiam determinados alimentos, como o porco, ou não tocavam em mulheres nos seus dias, ou em leprosos, ou ainda em pessoas ensanguentadas, pois poderiam contaminar-se.
De fato, podemos ser expostos e contaminados fisicamente, adoecermos, inclusive, ao entrarmos em contato com determinadas substancias externas ou exteriores. Não obstante, como o carater e a verdade do que representa a vida, não se limita ao meio fisico apenas, sendo a parte espiritual, como a principal parte da vida humana, nada do que venha de fora do corpo, pode, de fato, contaminar o homem.
Jesus repetiu esse ensinamento contrariando os religiosos da sua época. Ele dizia: “Ouvi, e entendei: O que contamina o homem não é o que entra na boca, mas o que sai da boca, isso é o que contamina o homem. Então, acercando-se dele os seus discípulos, disseram-lhe: Sabes que os fariseus, ouvindo essas palavras, se escandalizaram? […] Ainda não compreendeis que tudo o que entra pela boca desce para o ventre, e é lançado fora? Mas, o que sai da boca, procede do coração, e isso contamina o homem. Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias. São estas coisas que contaminam o homem; mas comer sem lavar as mãos, isso não contamina o homem”. (Mateus 15:10-20).
Jesus combatia esse ensinamento farisaico, que taxou de “tradição e preceitos dos homens” (Mateus 15:9), por que o mesmo acabava por “invalidar o mandamento de Deus” (Mateus 15:6). Invalidar significa tornar nulo ou sem valor prático para os homens.
De fato, o resultado lógico deste tipo de ensinamento excludente dos fariseus era, em primeiro lugar, uma excessiva preocupação com o exterior e um esquecimento do interior. Em segundo lugar, a virtude de quem se preocupa com o exterior é a exclusão de quem não tivesse essa preocupação, logo, quem não se moldasse exteriormente seria maldito. E, por ultimo, essa exclusão se transformaria em exclusão do próximo necessitado.
Assim, exterioridade é superficialidade. É vazio. É hipocrisia.
“Exclusão” é a prática natural dos excluídos do amor e da graça de Deus. A aplicabilidade egoísta e mesquinha do ensinamento fariseu apoiado na Lei de Moisés, vê-se de maneira clara numa parábola contada por Jesus. A parábola do Bom Samaritano.
Naquela parábola (Lucas 10:25-37), um homem foi assaltado, espancado, ensanguentado e quase morto por indivíduos maus. Um sacerdote e um levita, religiosos e cumpridores do mandamento farisaico, passaram de largo, mas um samaritano, movido de íntima compaixão, tocou no ferido e cuidou dele.
O resultado lógico do ensino farisaico era exclusão e uma consequente falta de compaixão para com o necessitado – o meu próximo. Exterioridade, exclusão gera impiedade. Mas, o resultado do ensino de Jesus é inclusão, amor e compaixão pelo próximo.
O cuidado com o exterior levou o fariseu a negar a compaixão. Todo cuidado com o exterior é excludente, em razão de que, o ex-terior produz es-tereótipos – estéreis – e consequente exclusão. Afinal, o diferente a mim, não sou eu, não se identifica comigo, por isso mesmo, deve ser excluído.
As igrejas, tomadas pelo farisaísmo, tem uma enorme dificuldade de aceitar quem se veste diferente, apesar de decorosamente, da maioria. Tudo deve ser enquadrado, moldado a medida da visão do que alguns acham ser o certo. Assim, as igrejas se tornam tão farisaicas quanto qualquer fariseu nos dias de Jesus.
Sem duvida alguma, o ensino de “limpos de coração” contrasta com o ensino da limpeza exterior farisaica, mas não é somente isso.
A palavra empregada para “limpos”, no grego, é “katharoi”. Esta palavra vem de “catarse”. Uma catarse, no grego, é uma limpeza profunda, um lavar absoluto do interior produto de um drama ou tragédia. É uma transformação decorrente de uma experiência radical que afeta o interior humano.
Em contraste com as marcas externas, como a circuncisão, os cabelos formatados, as roupas, o lavar ritualístico das mãos e a dieta dos judeus religiosos, a lavagem interna, feita no coração é, de fato, que produz salvação (“eles – os limpos… – verão a Deus”, disse Jesus).
A limpeza do coração contempla – não apenas a natureza do ensino de Cristo, que é contrária ao de todas as religiões do mundo – mas e sobretudo, aprecia um tipo de limpeza produzida no interior do homem, que só pode ser feita, pela sua intensidade e qualidade, pelo próprio Deus mediante a ação do Espírito Santo. Assim, quem crê em Jesus passa a ser outra criatura.
O coração humano, como centro da sua vontade, da compreensão e do afeto é purificado para se querer a Deus. Eis a importancia do coração novo recebido na regeneração. A transformação do individuo, começa pelo interior, onde sua cosmovisão, logo, vontade e afeto são modificados pela ação do Espírito, para se amar e desejar a Deus de todo coração.
Esse tipo de ensinamento não é excludente, muito pelo contrário, ao reconhecer a própria pecaminosidade, reconhecendo-nos como falhos e imperfeitos e carentes da graça de Deus, aplicamos a realidade vivida pela experiência de novo nascimento em nós, a entendermos os outros, a perdoá-los e a ajudá-los quando requisitado.
Por Waldemir Lopes