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Filipenses capítulo 2

Publicado: 4 de junho de 2013 em Uncategorized
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A Abba Press e a Sociedade Bíblica Ibero-Americana, através do jornalista Oswaldo Paião, afirmou em pesquisa divulgada em 2010, que 50,68% dos pastores e líderes de comunidades evangélicas nunca leram a Bíblia toda, i.e., de Gênesis a Apocalipse.

Este resultado foi obtido por uma pesquisa feita com 1.255 entrevistados de diversas denominações, sendo que 835 participaram de um painel de aprofundamento dessa pesquisa.

O principal motivo alegado para esta situação é a falta de tempo, apontaram os entrevistados.

Rapidamente, movidos pelo nosso coração ajuizador e muitas vezes impiedoso para com as outras pessoas, afirmaremos que noticias como essas apenas refletem a realidade e a qualidade do Evangelho que está sendo pregado no Brasil. Alguns decepcionados afirmarão que está ai o motivo do baque dos púlpitos das igrejas. Outros radicalizarão afirmando que não há verdade em canto nenhum. E ainda outros, acusarão os pastores de hipócritas, pois, afinal, pedem que as pessoas leiam a Bíblia, quando eles mesmos não o fazem.

Bom, como disse, essa é a tendência ajuizadora e impiedosa de um coração que parece estar falto de amor, compreensão, de um melhor entendimento espiritual acerca do Reino.

Testifico que li a Bíblia toda umas 5 ou 6 vezes pelo menos. Nestas, em pelo menos 3 versões e em 2 idiomas diferentes. Talvez por isso mesmo, possa falar o que vou falar a continuação. Peço ao leitor que, apesar do tamanho texto, leia-o até o fim para que não se tire conclusões apressuradas.

Em primeiro lugar, quem disse que para pastorear é necessário ler a Bíblia toda? Não acredito que Paulo, Pedro, nem mesmo João, tenham lido toda a Bíblia. As razões? Primeiro, em virtude da carência de textos da época – o Antigo Testamento não estava reunido em um livro, mas em pergaminhos separados. Também porque havia pouca leitura na época – se no Brasil há alguns anos tínhamos um índice de quase 30% da população analfabeta, imagine na Galileia ou Judéia há 2.000 anos – e, por último, em razão do cânon do Novo Testamento, ainda em formação.

Poderia discorrer com muitas mais razões acerca da afirmação, mas acredito serem estas suficientes.

Aliás, estou, particularmente, convencido de que para ser pastor basta conhecer e, sobretudo, viver, o princípio do Evangelho, reunido em 3 capítulos de Mateus (5, 6 e 7). Não acredito que todos os pastores chineses, africanos e árabes tenham lido a Bíblia toda, pois conheci alguns que sustentavam seu velho e surrado Novo Testamento contrabandeado como um respirador a quem estão presos e disso dependem. Homens de Deus, servos de Jesus, que amam a parte da Bíblia que lhes chegou e possibilitou não apenas o conhecimento da salvação, bem como ser chamado por Deus para pastorear o seu rebanho.

Han-cheong, por exemplo, foi pastor na China entre 1863-1884 e durante a sua conversão e pastoreio, não dispunha de outro livro senão os Evangelhos de Marcos e João, uma parte de Atos dos Apóstolos e algumas poucas cartas de Paulo. Com isso plantou igrejas e abençoou pessoas aos milhares.

A realidade era outra, mas o fato de não ter lido a Bíblia inteira não invalidou o seu chamado e pastoreio. Han-Cheong, quando reunia a igreja, perguntava: “vocês puderam ler algo da Escritura, algum trecho ou versículo?”. Situação que piorou bastante com o advento do comunismo de Mao no século XX. Mas, a igreja ainda está lá.

Francamente, não vejo como ler a Bíblia inteira possa diminuir heresias ou aumentar o nível do pastoreio. Às vezes a leitura bíblica com chaves hermenêuticas inapropriadas se servem para a “fundamentação” de heresias.

Se houver a oportunidade e, sobretudo, a cabeça para tal, leia toda a Bíblia, inclusive, esforce-se por fazê-lo. Afinal, não estou argumentando contra a leitura do Texto Bíblico, mas contra a ideia ou contra juízos apressados que subjazem a essa pesquisa.

Com isso afirmo também que para ser pastor não basta ter uma vasta leitura bíblica, mas a leitura correta do texto sagrado. A leitura e, diria eu, muito mais ainda, a vivência e a obediência ao que se lê. O conhecimento prático da mensagem do Evangelho do Senhor. A sabedoria no seu termo que lhe é mais apropriado.  

O discurso “leia a Bíblia” se transformou numa espécie de dogma da igreja que parece estar por cima de outros tão ou mais importantes como, por exemplo: a prática da justiça, da misericórdia e da fé ou ainda o amor ao próximo.

Mas, antes de arrazoar contra falta de disciplina pessoal para uma leitura sistemática e contínua da Bíblia ou de tratar de discorrer sobre a preguiça ou o uso intencional de outros meios persuasivos nos sermões, que podem estar por detrás de alguma porcentagem dessa porcentagem anunciada, consideremos antes, que os pastores podem estar absorvidos nas múltiplas atividades ministeriais, pela falta de obreiros que se dispunham, ao invés de serem servidos, a servir. “Consumidores” que demandam respostas imediatas, soluções instantâneas e a onipresença pastoral. Quase um personal-pastor.   

Por último, quantos crentes, que ajuízam impiedosamente aos pastores não leitores, já leram a Bíblia toda? Falo em base ao sacerdócio universal dos crentes. Por que não o fizeram? Garanto que se detiveram no Antigo Testamento, naquelas genealogias trava-línguas e, aparentemente, intermináveis, e na leitura de aspectos da lei que não faz o menor sentido e não tem o menor valor para os cristãos de ontem e de hoje.

É fácil alardear sobre a questão. É tentador maquiar o meu problema apontando a falha dos outros, como numa síndrome adâmica. É atraente vociferar sobre a qualidade dos púlpitos e da igreja diante de um dado pesquisado, apontando para a porcentagem como o “fator x” da problemática que envolve a igreja local, nacional e mundial, quando o problema, na realidade, está para além do apontado na pesquisa. Talvez, o que a pesquisa aponte seja parte do problema.

Em conclusão, ler a Bíblia é importante, mas ainda mais importante é a prática dos ensinamentos do Nosso Senhor Jesus Cristo para louvor e honra de Sua Glória excelsa e por amor ao próximo. E isso, inclui olhar para si, julgar-se antes de julgar, amar, perdoar, contribuir para solucionar e não apedrejar. Isso sim faz o pastor e faz o crente! Isso sim é ser sal e luz! 

Por Waldemir Lopes