Posts com Tag ‘dilema’

Entre o Amor e a Justiça

Publicado: 21 de maio de 2013 em Uncategorized
Tags:, , , ,

joão 3

Certo homem decidiu passear num parque extremamente arborizado próximo a sua casa. Levou sua esposa a quem amava e o seu único filho. Ao passar junto à área mais distante do parque, foram abordados por pessoas más, que além de espancá-los por prazer e adrenalina, levaram a sua esposa, a violentaram e a mataram, diante dos seus olhos. Depois disso, com requintes de crueldade, espancaram-no, mais uma vez, deixaram-no quase morto, mas suficientemente vivo para ver o esquartejamento do seu único e amado filho. Alguns minutos após a tragédia, levaram o homem extremamente ferido ao hospital. Seus ferimentos, desferido pela brutalidade dos golpes dos seus algozes, fizeram-no perder um olho, um baço, ter várias costelas quebradas. Mas, nada, absolutamente nada, representaram, diante da inestimável perda das pessoas mais inocentes e amadas da sua vida!

Meses depois, seus agressores são presos. No julgamento, aquele homem os reconhece e os acusa; as provas os incriminam. O advogado de defesa deles praticamente se ausenta no julgamento. O Ministério público os acusa e apresenta as provas. Eles, então, confessam o crime e pedem perdão ao Juiz. Diante de tal situação, o juiz, de maneira inesperada, os perdoa e os liberta sem pagar pelos crimes cometidos!

Essa parábola traduz uma grande injustiça! 

Diante dessa injustiça, como reagiria? O que você diria? Talvez dissesse que o julgamento foi comprado. Ou quiçá, e mais certeiramente, que o juiz é injusto! Em qualquer caso, a falta de pagamento fará com que haja injustiça! Afinal de contas, qualquer crime ou infração tem que ser pago, caso contrário, brotar-se-á um desequilíbrio, isto é, injustiça. Quando somos seriamente prejudicados buscamos justiça. A injustiça é um desequilíbrio que desequilibra.
Vivemos num mundo cheio de injustiças. Vivemos num mundo egoísta. Políticos ruins, os maus prosperam, infrações são cometidas sem pagamento por elas etc. Mas, toda e qualquer infração ou dolo pede ajuste de contas, pede equilíbrio, enfim, clama por Justiça.
Será diferente em relação as atitudes pecaminosas do homem?
Todas elas são mesquinhas, prejudiciais, egoístas, dolorosas e desequilibradoras. Todas elas ferem a santidade de Deus, ao outro, a si e desequilibram as coisas. Todas elas prejudicam. Alguém, argumentará: “se me drogo em que estou prejudicando a outrem?”. Bom, basta lembrar-se da dor de uma mãe, que sabe e vê seu filho definhar-se nas drogas, para compreender que não há pecado que não aflija e faça sofrer a si e a outrem.
No entanto, permita-me trazer o significado da parábola. 
Não se engane! Na parábola acima, não somos os injustiçados. Somos aqueles homens maus. Somos os violentadores e assassinos. Somos aqueles que agem com requintes de crueldade e, contumazes cegos, achamos que não fizemos nada de mais.
De ser assim, estamos todos diante de um dilema. Se Deus, o Juiz, nos perdoa sem pagamento pela infração, nega-se a si mesmo, pois será injusto. Se não nos perdoa, aplicando justiça sem misericórdia, também nega-se a si mesmo, pois será impiedoso. Diante disso, como conciliar e resolver o problema da justiça e a necessidade amorosa de salvar aqueles que se encontram perdidos, mas que, sem dúvida alguma, são malfeitores? Afinal, o prejuízo (ônus) deve ser arcado por alguém e a justiça requer pagamento pela infração cometida.
“A solução Divina, bendita e graciosa, de oferecer-nos perdão eterno não foi sem ônus e dor. O perdão genuíno é oneroso e doloroso” (Tim Keller). O perdão gracioso de Deus Pai vem por causa da cruz de Cristo. Logo a cruz que parece ser um entrave para muitos! Afinal, dizem: “Se era para dar-nos perdão, não bastava simplesmente perdoar? Não bastava ensinar e dar o exemplo de vida e depois subir aos céus?”. A resposta é não, pois afinal, o prejuízo (ônus) do pecado deve ser arcado por alguém e a justiça requer pagamento pela infração cometida. Assim, por amor, levou Jesus à cruz para pagar pelos nossos pecados e fazer justiça.
Nossas infrações levaram Cristo à cruz! Somos tão culpados da sua morte, quanto os seus algozes diretos! Seu sangue foi derramado como propiciação (cobertura) pelos nossos pecados (1 João 2:2). Essa é a razão pela qual Paulo afirma: “Todos pecaram e estão afastados da presença gloriosa de Deus. Mas, pela sua graça e sem exigir nada, Deus aceita todos por meio de Cristo Jesus, que os salva. Deus ofereceu Cristo como sacrifício para que, pela sua morte na cruz, Cristo se tornasse o meio de as pessoas receberem o perdão dos seus pecados, pela fé nele. Deus quis mostrar com isso que ele é justo. No passado ele foi paciente e não castigou as pessoas por causa dos seus pecados; mas agora, pelo sacrifício de Cristo, Deus mostra que é justo. Assim ele é justo e aceita os que crêem em Jesus” (Romanos 3:23-26).

Por Waldemir Lopes