Gandhi e a Igreja

Publicado: 30 de abril de 2013 em Uncategorized
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Gandhi

Mahatma Gandhi foi um respeitado líder da Índia e da história hodierna. Como indiano e hindu, logo, oriental, admirava profundamente Jesus Cristo e, não com pouca frequência, citava as palavras do Senhor. Certa vez um missionário inglês, E. Stanley Jones, encontrou-se com ele na Índia e perguntou-lhe: “apesar do senhor sempre citar as palavras do Cristo, por que é tão inflexível e sempre rejeita tornar-se seu seguidor?” Sua resposta: “eu não rejeito seu Cristo. Eu amo seu Cristo. Apenas creio que muitos de vocês cristãos são bem diferentes do vosso Cristo”.

Conta-se que a rejeição de Gandhi ao cristianismo nasceu de um incidente na África do Sul, na época “áurea” do Apartheid – se é que podemos chamar qualquer momento daquele pernicioso regime de “áureo” – quando foi impedido de entrar na igreja, por causa da cor da sua pele. Sua experiência na África lhe impactou profundamente, a ponto de dizer: “Não conheço ninguém que tenha feito mais para a humanidade do que Jesus. De fato, não há nada de errado no ensino de Jesus. O problema são os cristãos. Vocês nem começaram a viver segundo o que ensinam”.

Tem razão? Sim e não. Sim, quando afirma que os cristãos, na sua maioria, não tem nem ideia do que é ser um seguidor de Cristo. Não, por outro lado, por reduzir todo o cristianismo e toda igreja àquela pseudo-igreja na África do Sul. Se ao invés de ter se oposto a Igreja, por causa dos (pseudos) cristãos tivesse lido a Cristo e posto sua fé Nele, tal como recomenda o autor da carta aos Hebreus, que diz que devemos viver e seguir “tendo os olhos postos em Jesus, autor e consumador da nossa fé” (Hb 12:2), talvez não cometesse o reducionismo que cometeu.

Pensando nisso, vi como muitos como “Gandhi” cometem o seu mesmo erro e conceituam a comunidade da qual fazem parte como inapropriada para eles, devido aos erros encontrados nela. Numa postura bem farisaica dizem: “eu não sou como estes. Tenho que sair desse meio de hipocrisia, porque não me faz bem”. Não há nada mais ignominioso e perverso que esse olhar. Não há nada mais anticristão em achar que “eles são hipócritas e eu não sou como eles”. Em certa ocasião, Jesus nos contou a parábola do Fariseu e do publicano para indicar que a idiossincrasia dos hipócritas é considerar-se superiores aos demais pecadores. Nela, o confiar “em si mesmos, crendo que eram justos, e” – sobretudo isso – “desprezar aos outros”, é a marca dos hipócritas (Cf. Lucas 18:9-14).

Outra análise que faço, salvo os casos de desvio da sã doutrina do Evangelho, é a de que, quem sai da sua igreja pelos erros ou defeitos ou problemas que nela há, está inebriado pelo espírito consumista desse mundo, que trata as relações como pura prestação de serviço. Isto é, faz-se parte de uma comunidade em quanto, e apenas em quanto, esta lhe serve ou presta benefícios. Assim, se tiver escolinha para meus filhos, se os membros pensarem como eu, se na liturgia houver o que eu gosto, se o louvor for adorável, se o pastor prega e me preenche com o seu sermão, se há muitas atividades e festas para casais, adolescentes, jovens etc. etc. etc. neste caso, “tô dentro!”.

Se não tiver nada disso ou começar a faltar algumas destas coisas que, segundo dizem “tem que ter numa igreja”, “tô fora!”; “vou buscar outra comunidade que me ofereça o bem estar que eu e minha família precisamos”. Assim, troca-se de comunidade como de operadora de celular. Aonde houver mais ofertas e vantagens, aí, fico! Relação ética, relação cristã na comunidade, igreja em si, não é prestadora de serviço. Ao invés de promover o bem, muitos cristãos querem apenas usufruir do bem que a comunidade, com o esforço de poucos obreiros, oferece. Nisto, empobrece-se a igreja, a espiritualidade (qual?) fraqueja e comunidades como as que rejeitaram Gandhi começam a prevalecer. Pois, na ausência do bem do justo, o mal do ímpio prevalece. Pense nisso…

Por Waldemir Lopes

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comentários
  1. Marta Oliveira disse:

    Muito bom a visao que o texto dá em relacao à nossa mudança de igreja, é realmente facil chegar e encontrar as coisas ali… prontinhas. O problema pastor, eu ja percebi é que quem mais reclama é quem menos faz e quem mais quer pronto.

  2. wallopes disse:

    É certo. Às vezes, fala-se para encobrir as próprias falhas. Abção! Paz!

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