Arquivo de abril, 2013

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Todo discípulo é um crente, mas nem todo crente é um discípulo. Sabe por quê?

O crente espera peixes; o discípulo é um pescador.

O crente luta por crescer; o discípulo luta para reproduzir-se.

O crente se ganha; o discípulo se faz.

O crente depende dos afagos de seu pastor; o discípulo está determinado a servir a Deus.

O crente gosta de elogios; o discípulo, do sacrifício vivo.

O crente entrega parte de suas finanças; o discípulo entrega toda a sua vida.

O crente cai facilmente na rotina; o discípulo é um revolucionário.

O crente precisa ser estimulado; o discípulo estimula os outros.

O crente espera o que fazer; o discípulo assume responsabilidades.

O crente reclama e murmura; o discípulo obedece e nega-se a si mesmo.

O crente é condicionado pelas circunstâncias; o discípulo exerce a sua fé.

O crente exige que os outros o visitem; o discípulo visita.

O crente busca promessas para a sua vida; o discípulo busca vida para receber as promessas.

O crente pensa em si mesmo; o discípulo pensa nos outros.

O crente vai à Igreja para adorar; o discípulo anda adorando.

O crente pertence a uma instituição; o discípulo é uma instituição em si.

O crente vale porque soma; o discípulo vale porque multiplica.

Os crentes aumentam a comunidade; os discípulos aumentam as comunidades.

Os crentes esperam milagres; os discípulos os fazem.

O crente  causa problema para a igreja; o discípulo causa problema para o reino das trevas.

Os crentes são soldados defensores; os discípulos são soldados invasores.

O crente cuida de sua tenda; o discípulo desbrava e aumenta o seu território.

O crente sonha com a igreja ideal; o discípulo faz uma igreja real.

A meta do crente é ir para o Céu; a meta do discípulo é povoar o Céu.

O crente necessita de festas para estar alegre; o discípulo vive alegre.

O crente espera um avivamento; O discípulo é parte dele.

O crente agoniza sem nunca morrer; o discípulo morre para dar vida a outros.

Ao crente se promete uma almofada; ao discípulo se entrega uma cruz.

O crente é sócio; o discípulo é servo.

O crente responde talvez… O discípulo responde eis-me aqui.

O crente prega o evangelho; o discípulo faz discípulos.

O crente espera recompensa para dar; o discípulo se doa.

O crente é pastoreado. O discípulo apascenta.

O crente pede oração; o discípulo ora pelos outros.

O crente busca a presença do Senhor; o discípulo carrega a Sua presença.

O crente procura conselhos; o discípulo ora a Deus, lê a Palavra.

O crente espera que o mundo melhore; o discípulo espera o encontro com seu Senhor.

Antônio Pereira da Costa Jr

Gandhi

Mahatma Gandhi foi um respeitado líder da Índia e da história hodierna. Como indiano e hindu, logo, oriental, admirava profundamente Jesus Cristo e, não com pouca frequência, citava as palavras do Senhor. Certa vez um missionário inglês, E. Stanley Jones, encontrou-se com ele na Índia e perguntou-lhe: “apesar do senhor sempre citar as palavras do Cristo, por que é tão inflexível e sempre rejeita tornar-se seu seguidor?” Sua resposta: “eu não rejeito seu Cristo. Eu amo seu Cristo. Apenas creio que muitos de vocês cristãos são bem diferentes do vosso Cristo”.

Conta-se que a rejeição de Gandhi ao cristianismo nasceu de um incidente na África do Sul, na época “áurea” do Apartheid – se é que podemos chamar qualquer momento daquele pernicioso regime de “áureo” – quando foi impedido de entrar na igreja, por causa da cor da sua pele. Sua experiência na África lhe impactou profundamente, a ponto de dizer: “Não conheço ninguém que tenha feito mais para a humanidade do que Jesus. De fato, não há nada de errado no ensino de Jesus. O problema são os cristãos. Vocês nem começaram a viver segundo o que ensinam”.

Tem razão? Sim e não. Sim, quando afirma que os cristãos, na sua maioria, não tem nem ideia do que é ser um seguidor de Cristo. Não, por outro lado, por reduzir todo o cristianismo e toda igreja àquela pseudo-igreja na África do Sul. Se ao invés de ter se oposto a Igreja, por causa dos (pseudos) cristãos tivesse lido a Cristo e posto sua fé Nele, tal como recomenda o autor da carta aos Hebreus, que diz que devemos viver e seguir “tendo os olhos postos em Jesus, autor e consumador da nossa fé” (Hb 12:2), talvez não cometesse o reducionismo que cometeu.

Pensando nisso, vi como muitos como “Gandhi” cometem o seu mesmo erro e conceituam a comunidade da qual fazem parte como inapropriada para eles, devido aos erros encontrados nela. Numa postura bem farisaica dizem: “eu não sou como estes. Tenho que sair desse meio de hipocrisia, porque não me faz bem”. Não há nada mais ignominioso e perverso que esse olhar. Não há nada mais anticristão em achar que “eles são hipócritas e eu não sou como eles”. Em certa ocasião, Jesus nos contou a parábola do Fariseu e do publicano para indicar que a idiossincrasia dos hipócritas é considerar-se superiores aos demais pecadores. Nela, o confiar “em si mesmos, crendo que eram justos, e” – sobretudo isso – “desprezar aos outros”, é a marca dos hipócritas (Cf. Lucas 18:9-14).

Outra análise que faço, salvo os casos de desvio da sã doutrina do Evangelho, é a de que, quem sai da sua igreja pelos erros ou defeitos ou problemas que nela há, está inebriado pelo espírito consumista desse mundo, que trata as relações como pura prestação de serviço. Isto é, faz-se parte de uma comunidade em quanto, e apenas em quanto, esta lhe serve ou presta benefícios. Assim, se tiver escolinha para meus filhos, se os membros pensarem como eu, se na liturgia houver o que eu gosto, se o louvor for adorável, se o pastor prega e me preenche com o seu sermão, se há muitas atividades e festas para casais, adolescentes, jovens etc. etc. etc. neste caso, “tô dentro!”.

Se não tiver nada disso ou começar a faltar algumas destas coisas que, segundo dizem “tem que ter numa igreja”, “tô fora!”; “vou buscar outra comunidade que me ofereça o bem estar que eu e minha família precisamos”. Assim, troca-se de comunidade como de operadora de celular. Aonde houver mais ofertas e vantagens, aí, fico! Relação ética, relação cristã na comunidade, igreja em si, não é prestadora de serviço. Ao invés de promover o bem, muitos cristãos querem apenas usufruir do bem que a comunidade, com o esforço de poucos obreiros, oferece. Nisto, empobrece-se a igreja, a espiritualidade (qual?) fraqueja e comunidades como as que rejeitaram Gandhi começam a prevalecer. Pois, na ausência do bem do justo, o mal do ímpio prevalece. Pense nisso…

Por Waldemir Lopes

ideal-real

A Igreja ideal, traçada nas Sagradas Escrituras, é uma igreja unida, onde todos vivem em união e no compartilhar do pão, onde ninguém critica ninguém, mas todos trabalham, levando o evangelho ao maior número possível de pessoas. A igreja ideal é adoradora e intercessora, é atuante por parte de todos os seus membros, não havendo ninguém ocioso ou preferindo a neutralidade e isentar-se de responsabilidade.  Todos trabalham e não dão trabalho. A igreja ideal é aquela onde todos são santos e já foram curados de todas as enfermidades espirituais, não havendo mais lugar para rancor, ódio, raiz de amargura, inveja, ciúmes, angústia, depressão, desrespeito, etc. A igreja ideal é submissa a uma liderança participativa, atuante, amiga e transmissora de poder e unção.

Esta é a igreja ideal!
Mas há a igreja real, a igreja de hoje, a igreja visível, palpável, terrestre, a igreja onde vivemos, sentimos, percebemos e amamos, a igreja real…

Por sua vez, esta é composta de pessoas feridas, machucadas, tomadas de angústias, com feridas profundas, precisando de tratamento, de cura, de libertação.  Na igreja real há críticas, discórdias, entre tantas outras cousas.
Há pessoas que se tornaram semelhantes ao mar morto – só recebem, mas nunca dão, nunca compartilham. Pessoas que se esquecem facilmente dos benefícios recebidos, ficando apenas em sua lembrança o que não foi feito – ignorando assim os feitos realizados.

Esta é a igreja real!
Sem utopias, quimeras, é a igreja vista com os pés no chão.

É esta a igreja que está sendo lapidada, moldada, restaurada, santificada, renovada, revigorada a cada dia pelo Senhor Jesus na atuação do Espírito Santo de Deus. É esta a igreja que devemos amar, honrar, vestir a sua camisa, gastar nosso tempo e nossos talentos, nossa vida, tudo quanto temos e somos, para apresentá-la um dia diante do Senhor da seara. É esta a Igreja onde Deus nos tem colocado, e irá usar-nos para Sua Glória.
Somente quando obtivermos a visão da Igreja real, estaremos aptos para trabalhar nela, amando-a e respeitando-a apesar de suas falhas. Devemos aprender que ninguém é perfeito, que não há lares perfeitos, famílias perfeitas, igrejas perfeitas, líderes perfeitos; há sim, pessoas em busca da perfeição, que estão se aperfeiçoando a cada dia, mas que ainda não alcançaram seu perfeito objetivo.

Pela inspiração divina, esperamos que essas palavras sirvam para nos ensinar a amar mais a nossa Igreja, tolerando mais os fracos e trabalhando com muito amor e sem críticas com aqueles que tanto carecem de nossas orações.  Há sim, a Igreja dos nossos sonhos, dos nossos projetos irrealizáveis, mas há também a Igreja real, que precisa de nós, de nossas orações, nossa colaboração, aceitação, amor, tolerância e, acima de tudo, que quer agir como o Senhor Jesus agiu quando, entre nós, realizou o Seu ministério terreno.

Deus nos abençoe.

Por Daniel Sales Acioli

ImagemDe onde provêm tantas religiões? Já observaram que no mundo há milhares delas? A queda ou, melhor dito, a exclusão da comunhão com Deus, trouxe uma grande proliferação religiosa. 

Através de rituais, o homem procura a todo custo, obter méritos diante de Deus, a fim de ser aceito novamente na sua comunhão. Essa doença conseqüente da exclusão do Éden traz ao coração humano um sentimento de culpabilidade real que se espalhou velozmente pelo mundo. Por essa razão, Lutero dizia: “A doutrina da justificação pela fé em Cristo (…) foi sacudida, e ainda é através das religiões…”. 

Depois da exclusão de Adão, o homem procurou agir para voltar a ser aceito por Deus. A Bíblia diz: “Depois, o Senhor Deus plantou um jardim na região do Éden, no Leste, e ali pôs o ser humano que ele havia formado… Por isso, o Senhor Deus expulsou o homem do jardim do Éden e fez com que ele cultivasse a terra da qual havia sido formado… Deus expulsou o homem e pôs os querubins e uma espada de fogo que dava voltas em todas as direções a fim de que o homem não voltasse…” (Gênesis 2.8-24). 

A busca pela justiça é uma luta que começou no Éden. No pecado de Adão e Eva, um acusou ao outro e, por último, a serpente; e, depois, eles mesmos se fizeram roupas com folhas de figueira para esconder a sua nudez dos olhos de Deus. 
 
No tempo do Novo Testamento a luta ainda continuava, pois a religião judaica era a tentativa de se alcançar a aceitação de Deus por intermédio das obras (Romanos 10.3).
 
Todos nós, ainda hoje, “somos inclinados a rejeitar o método de Deus para sermos aceitos, porque queremos a todo custo ter uma participação decisiva nessa aceitação, quando não, ter uma participação exclusiva, quando, na verdade, as boas obras de Cristo são perfeitas para a nossa aceitação na família do Pai.” – J. B. Phillips.
 
O homem foi rejeitado, excluído e, consequentemente, afastado da comunhão com o Pai. A tendência natural do homem diante da rejeição é a tentativa de novamente ser aceito, nem que isso custe o humilhar-se ou rastejar-se. 
 
Essa repulsa edênica provocou em todo o mundo uma tentativa de voltar a ser aceito por Deus. Por essa razão, como no caso da torre de Babel, muitas religiões nasceram. O mundo inteiro agiu e ainda age, contra essa doutrina de ser justificado e aceito por Deus pela fé em Cristo, inventando numerosos ídolos e religiões, onde cada um, procura justificar-se diante de Deus por meio das suas próprias obras. 
 
Isto é, com a esperança de se redimir a si mesmo das maldades e pecados sem a ajuda de Cristo, unicamente pelas suas próprias obras. Tudo isso se percebe claramente nas práticas e restos de todas as culturas e nações. 
 
Daí, nascem as autoflagelações, as penitências, obras de caridade (com o fim de obter justiça pessoal), o subir escadarias de joelhos, o fazer e pagar promessas, o seguir os ritos e preceitos de uma religião. Também os dez ensinamentos muçulmanos, os sete sacramentos católicos, os oito passos do budismo etc. Tudo isso, é a colocação da responsabilidade de sua própria salvação sobre o homem. 
 
Seria como se dissesse: “se eu fizer a minha parte, Deus fará a dele”. Dessa falácia procedem muitos provérbios populares como: “a Deus rogando e com o maço dando” ou “Deus ajuda a quem madruga”, onde é evidente que Deus só será capaz de fazer por meio, primeiramente, da ação do indivíduo homem. Por essa razão, o cristianismo autêntico, apostólico e bíblico é tão diferente a todas as religiões do mundo.
 
O Evangelho é o oposto a tudo isso. O Evangelho É… Justiça abundante aos pobres de espírito! É misericórdia, amor e paz aos inimigos! É a exaltação do impotente! É a elevação do quebrantado! À renúncia a sua própria capacidade de ser salvo pelas suas obras pessoais! 

 
Nele, há uma poderosa inversão! Do mérito religioso pessoal à dependência da graça de Deus!
 
Por isso, o generoso e o que ama será herdeiro de tudo! O misericordioso alcançará misericórdia! O fraco sustentado pela graça de Deus é forte! O filho é incluído! O herdeiro, pela fé, é salvo! O que faz boas obras, faça-as por gratidão, não por tentativa de inclusão!
 
Em virtude de que, o cristianismo em sua essência é inclusão pela fé em Cristo, sem necessidade alguma das obras humanas, mas com toda a sustentação das obras perfeitas de Cristo, Nele devemos depositar toda a nossa confiança. 
 
Como disse B. B. Warfield: “Saber a respeito e, sobretudo, CRER na justificação pela fé em Cristo é primordial para qualquer cristão. Se esta doutrina florescer, tudo de bom florescerá no coração do crente…”. 
 
Em Cristo, 
 
Waldemir Lopes

lavar as maos

Arthur W. Pink, teólogo e pastor registra no seu livro “Comfort for Christians” (“Conforto  para os cristãos”), referindo-se a este texto de Mateus 5:8, “… que a pureza de coração não significa impecabilidade de vida está claro, a partir do registro inspirado da história de todos os santos de Deus. Noé se embebedou; Abraão mentiu; Moisés desobedeceu a Deus, Jó amaldiçoou o dia de seu nascimento; Elias fugiu de pavor de Jezabel; Pedro negou a Cristo. Sim, talvez alguém irá exclamar: mas todos esses foram antes do cristianismo ser estabelecido – ou antes da redenção na cruz. Verdade, mas também tem sido a mesma situação desde então. Para onde devemos ir para encontrar um cristão de realizações superiores aos do apóstolo Paulo? E qual foi sua experiência? Leia Romanos 7 e veja. Quando ele queria fazer o bem, o mal estava presente com ele (v. 21); havia uma lei em seus membros guerreando contra a lei de sua mente, e o trazia cativo à lei do pecado (v. 23). Ele, com a mente, servia a lei de Deus, no entanto, com a carne servia a lei do pecado (v. 25). Ah, leitor cristão, a verdade é que uma das evidências mais conclusivas de que possuímos um coração puro é a descoberta e a consciência da impureza do velho coração habitando lado a lado com o novo”.

“Bem-aventurados os limpos de coração”. Na busca de uma interpretação de qualquer parte deste sermão do monte a primeira coisa a se ter em mente é que aqueles a quem o Senhor falava haviam sido criados no judaísmo. 
Os judeus religiosos da época de Jesus tinham uma grande preocupação com o exterior. Neles, havia o mandamento de que “o que vem de fora contamina o homem”. Por essa razão, não comiam determinados alimentos, como o porco, ou não tocavam em mulheres nos seus dias, ou em leprosos, ou ainda em pessoas ensanguentadas, pois poderiam contaminar-se.
De fato, podemos ser expostos e contaminados fisicamente, adoecermos, inclusive, ao entrarmos em contato com determinadas substancias externas ou exteriores. Não obstante, como o carater e a verdade do que representa a vida, não se limita ao meio fisico apenas, sendo a parte espiritual, como a principal parte da vida humana, nada do que venha de fora do corpo, pode, de fato, contaminar o homem.
Jesus repetiu esse ensinamento contrariando os religiosos da sua época. Ele dizia: “Ouvi, e entendei: O que contamina o homem não é o que entra na boca, mas o que sai da boca, isso é o que contamina o homem. Então, acercando-se dele os seus discípulos, disseram-lhe: Sabes que os fariseus, ouvindo essas palavras, se escandalizaram? […] Ainda não compreendeis que tudo o que entra pela boca desce para o ventre, e é lançado fora? Mas, o que sai da boca, procede do coração, e isso contamina o homem. Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias. São estas coisas que contaminam o homem; mas comer sem lavar as mãos, isso não contamina o homem”. (Mateus 15:10-20).
Jesus combatia esse ensinamento farisaico, que taxou de “tradição e preceitos dos homens” (Mateus 15:9), por que o mesmo acabava por “invalidar o mandamento de Deus” (Mateus 15:6). Invalidar significa tornar nulo ou sem valor prático para os homens.
De fato, o resultado lógico deste tipo de ensinamento excludente dos fariseus era, em primeiro lugar, uma excessiva preocupação com o exterior e um esquecimento do interior. Em segundo lugar, a virtude de quem se preocupa com o exterior é a exclusão de quem não tivesse essa preocupação, logo, quem não se moldasse exteriormente seria maldito. E, por ultimo, essa exclusão se transformaria em exclusão do próximo necessitado.
Assim, exterioridade é superficialidade. É vazio. É hipocrisia.
“Exclusão” é a prática natural dos excluídos do amor e da graça de Deus. A aplicabilidade egoísta e mesquinha do ensinamento fariseu apoiado na Lei de Moisés, vê-se de maneira clara numa parábola contada por Jesus. A parábola do Bom Samaritano.
Naquela parábola (Lucas 10:25-37), um homem foi assaltado, espancado, ensanguentado e quase morto por indivíduos maus. Um sacerdote e um levita, religiosos e cumpridores do mandamento farisaico, passaram de largo, mas um samaritano, movido de íntima compaixão, tocou no ferido e cuidou dele.
O resultado lógico do ensino farisaico era exclusão e uma consequente falta de compaixão para com o necessitado – o meu próximo. Exterioridade, exclusão gera impiedade. Mas, o resultado do ensino de Jesus é inclusão, amor e compaixão pelo próximo.
O cuidado com o exterior levou o fariseu a negar a compaixão. Todo cuidado com o exterior é excludente, em razão de que, o ex-terior produz es-tereótipos – estéreis – e consequente exclusão. Afinal, o diferente a mim, não sou eu, não se identifica comigo, por isso mesmo, deve ser excluído.
As igrejas, tomadas pelo farisaísmo, tem uma enorme dificuldade de aceitar quem se veste diferente, apesar de decorosamente, da maioria. Tudo deve ser enquadrado, moldado a medida da visão do que alguns acham ser o certo. Assim, as igrejas se tornam tão farisaicas quanto qualquer fariseu nos dias de Jesus.
Sem duvida alguma, o ensino de “limpos de coração” contrasta com o ensino da limpeza exterior farisaica, mas não é somente isso.
A palavra empregada para “limpos”, no grego, é “katharoi”. Esta palavra vem de “catarse”. Uma catarse, no grego, é uma limpeza profunda, um lavar absoluto do interior produto de um drama ou tragédia. É uma transformação decorrente de uma experiência radical que afeta o interior humano.
Em contraste com as marcas externas, como a circuncisão, os cabelos formatados, as roupas, o lavar ritualístico das mãos e a dieta dos judeus religiosos, a lavagem interna, feita no coração é, de fato, que produz salvação (“eles – os limpos… – verão a Deus”, disse Jesus).
A limpeza do coração contempla – não apenas a natureza do ensino de Cristo, que é contrária ao de todas as religiões do mundo – mas e sobretudo, aprecia um tipo de limpeza produzida no interior do homem, que só pode ser feita, pela sua intensidade e qualidade, pelo próprio Deus mediante a ação do Espírito Santo. Assim, quem crê em Jesus passa a ser outra criatura.
O coração humano, como centro da sua vontade, da compreensão e do afeto é purificado para se querer a Deus. Eis a importancia do coração novo recebido na regeneração. A transformação do individuo, começa pelo interior, onde sua cosmovisão, logo, vontade e afeto são modificados pela ação do Espírito, para se amar e desejar a Deus de todo coração.
Esse tipo de ensinamento não é excludente, muito pelo contrário, ao reconhecer a própria pecaminosidade, reconhecendo-nos como falhos e imperfeitos e carentes da graça de Deus, aplicamos a realidade vivida pela experiência de novo nascimento em nós, a entendermos os outros, a perdoá-los e a ajudá-los quando requisitado.
Por Waldemir Lopes